Demissão pelas lentes do gestor e do funcionário

10/09/18

Por Luciana Gazzoni, coach, consultora, interculturalista e especialista em gestão de pessoas e liderança

 

Parte 1: Preciso demitir, e agora? Pelas lentes de um gestor

A demissão de funcionários é um dos fatores de maior estresse para um gestor. Há pessoas que passam semanas sentindo-se mal pois sabem que têm uma tarefa árdua pela frente. É uma tarefa difícil. Mas desempenhar essa função da forma mais amigável possível é seu papel.

Algumas dicas importantes se você é gestor:

  1. Antes de decidir desligar o funcionário, é bem importante que você conheça a história dele. Algumas vezes nos surpreendemos com pessoas que sempre tiveram alto desempenho e repentinamente passam a não entregar mais resultados. A complexidade aumenta quando você chegou há poucos meses na posição e não conhecia o funcionário anteriormente. De qualquer forma, sempre vale a pena investigar se a queda de desempenho possui alguma raiz pessoal ou de insatisfação atual. Será que a pessoa está passando por algum desafio pessoal que esteja tirando o foco do trabalho? Uma doença na família, um divórcio repentino… Aqui, o objetivo não é ser complacente – mas compreender o contexto pode levar a uma nova avaliação.
  1. Verifique o nível de satisfação do funcionário. Se possível, proponha alterações de escopo, mudanças de tarefas e observe a reação.
  1. Deixe claras as suas expectativas de entregas de resultados e de comportamentos esperados. Dialogue frequentemente e dê feedbacks baseados em fatos e dados.
  1. Dialogue e traga elementos concretos que demonstrem as lacunas de entrega e competência. Convide a pessoa a assumir responsabilidade pessoal pelos resultados.
  1. Se nada disso funcionou, combine o desligamento com o  RH. Lembre que talvez aquele profissional não “caiba” mais na sua organização ou nas necessidades da sua área, mas isso não significa que ele não possa ser valioso para outra organização. Trate-o com profissionalismo e respeito no momento do desligamento.
  1. Comunique a sua equipe de forma pessoal e sem desqualificar o colega que foi desligado.

 

Parte 2: fui demitido, e agora? Pelas lentes do funcionário

Pois é, isso é muito difícil. Mas acontece com muitos profissionais e você pode se surpreender com novas oportunidades que surgirão lá na frente. Só que, no momento do desligamento, fica difícil vermos qualquer perspectiva positiva. Para muitas pessoas, a demissão é como vivenciar um luto. Sua trajetória foi interrompida. Nos primeiros dias / semanas você pode ter a sensação de que aquilo não é realidade. Faz de conta que nada aconteceu. Depois, oscilará entre sentimentos de raiva e tristeza que podem se estender por meses. Veja abaixo o ciclo com as fases do “luto” enfrentado no desligamento.

1) Negação: Não comigo! Não acredito!

2) Raiva: Por quê eu? Não é justo!

3) Depressão: Nunca será como antes. O mundo perdeu a cor.

4) Barganha: Faço qualquer coisa se…

5) Aceitação: Teve que ser desta forma. Sou capaz de recomeçar.

Para que você saia mais fortalecido, precisará aprender com a situação. Algumas perguntas podem ajudar nesta tarefa:

– O que eu poderia ter feito diferente?

– Quais aspectos técnicos e comportamentais preciso melhorar para que isso não se repita no futuro?

– O que preciso mudar em relação ao meu posicionamento frente ao meu gestor e colegas de trabalho?

Muitas pessoas acreditam que foram desligadas por perseguição. Pode ser que sim ou não. Mas, até mesmo nestas situações, você pode aprender algo. E lembre que ser desligado é muito ruim, marca a sua biografia, mas não define você e nem o resto da sua vida. É um momento difícil que vai passar. Busque apoio de amigos, colegas e reúna forças para ir à luta.